quarta-feira, agosto 05, 2015

A última vez | The Last Time

Um dia destes, é tarde demais.

Um dia destes,
…acordamos com a cabeça branca,
e arrependemo-nos de todos os minutos desperdiçados,
de todas as lágrimas derramadas,
de todas as palavras atiradas,
de todos os dias em que não dissemos “Amo-te”,
em que não nos tocámos como se fosse a última vez.

Um dia destes,
…olhamos um para o outro e não reconhecemos o nosso Amor,
passamos um pelo outro no corredor e nem nos olhamos,
dormimos de costas viradas, sem o aconchego das noites de Inverno,
escutamos a voz do outro lado da linha e saudamos o desconhecido.

Um dia destes,
                … adormecemos com o coração dorido,
                e acordamos com o coração partido, vazio,
                sem a doçura de um beijo para colar os pedaços soltos na tempestade.

Um dia destes, a última vez foi mesmo a última vez.



One of these days, it’s too late.

One of these days,
                ...we’ll wake up with a gray head,
                and regret all the wasted minutes,
                all the shed tears,
                all the thrown words,
                all the days when we didn’t say “I Love You”,
                when we didn’t touch as if it was the last time.

One of these days,
                …we’ll look at each other and won’t recognize our Love,
                we'll pass by each other in the hallway and not even look
                we’ll sleep with our backs turned, without the cozy feeling of Winter
                we’ll listen to the voice on the other side and greet the unknown.

One of these days,
                …we’ll fall asleep with a sore heart,
                and wake up with a broken, empty heart,
                without the sweetness of a kiss to glue back the pieces lose in the storm.


One of these days, the last time was really the last time.

terça-feira, junho 30, 2015

Vamos!



Anda, vamos partir, vamos à descoberta.
Anda, leva-me contigo.
Agarra-me na mão e conduz-me por caminhos desconhecidos.
Vamos descobrir novas vidas que não sabíamos possíveis.
Quero sentir cheiros diferentes e ver cores novas.
Sentir um sol diferente na pele, arrepiar-me com ventos de outras direcções.
Anda, vamos fechar os olhos e partir.
Esquecer tudo e descobrir mundos.
Agarra-me com força e não me deixes fugir.
Anda, vamos. Não esperes mais.
Aquele mar espera que nos banhemos e limpemos a alma da poeira da estrada.
Aquele horizonte conta estórias de outras vidas.
Anda, escolhe um novo nome, uma cara diferente.
Põe a fantasia de outros tempos, mascara-te e vive!
Anda, vamos esquecer todas as primeiras vezes, e recomeçar, de novo.
Vamos deixar para trás todos os amanhãs que prometemos e nunca chegaram, e vamos viver novas aventuras!
Simplesmente, vamos.


Come, let’s leave, and part on a discovery.
Come, and take me with you.
Hold my hand and lead me into unknown paths.
Let’s find new ways that we didn’t imagine possible.
I want to feel different smells and see new colors.
Feel a different sun enter my skin, and get chilled by winds coming from other directions.
Come, let’s close our eyes, and go.
Forget everything and discover new worlds.
Hold me tight. Don’t let me run away.
Come, let’s go. Don’t wait any longer.
That sea awaits for us to bathe in it and clean our souls from the dusty road.
That horizon will tell us stories of other lifetimes.
Come, chose a new name, a new face.
Put on the fantasy of other times, get the mask on and live!
Come, let’s forget all the first times, and star over, once again.
Let’s leave behind all the tomorrows that we’ve promised and never came, and let’s live new adventures!
Let’s, simply, go.

segunda-feira, março 12, 2012

Dói-me a alma
... por todas as palavras que não disse
... por todas as palavras libertadas ao vento.

... por todos os momentos vividos
... por todos os momentos desperdiçados.

Dói-me o corpo
... das cicatrizes do tempo
... do que ainda falta gravar a ferro e fogo.

... das saudades que não digo
... dos amores que vivi.

sábado, março 03, 2012

São dias atrás de dias. Que viram semanas e meses. Passam céleres, demorados. Quando se quer que demorem voam; quando se quer que passem a correr, fazem-nos passar horas a olhar para um relógio.

Diria que tem vida própria, o tempo. Faz de nós o que quer. Um dia acordamos e temos a cabeça cheia de cabelos brancos e recordações difusas. As boas, essas, foram encaixotadas e arrumadas num sótão onde se procura não entrar, correndo o risco de partir de novo o coração e ver os dias arrastarem-se por mais um século. As más, as recordações, cravam rugas e marcas num rosto amargo. Ficam e alimentam a sede de atravessar mais um dia, uma semana, um mês. O rancor nasce, o sorriso fica mais difícil.

Um dia, num belo pôr-do-sol, contemplamos a nossa existência e não conseguimos recordar os motivos pelos quais sorrimos e responsáveis pelas linhas de expressão marcadas no rosto. Nesse dia, o somar de tanto tempo e experiência percebemos. Não sabemos bem o quê, mas percebemos, finalmente. E suspiramos, respiramos bem fundo e fechamos os olhos.
As expressões endurecidas pelas memórias aliviam. E chega a leveza.
Já se passaram alguns anos. E a história não muda.
Uma espécie de vira o disco e toca o mesmo. Ainda que as paisagens e as personagens alternem, variem consoante a estação. Padrões atrás de padrões, e por aqui, sem se saber como mudá-los.

Anos e anos a tentar ser uma personagem das várias histórias que compõem esta vida. Notas e rabiscos nas margens das histórias de outras vidas. Muitas vezes um segredo, apenas uma lembrança "Estive por aqui, não me esqueças."

E o tempo passa. E as pessoas são cada vez mais difíceis. Quem muda? Porquê mudar?

quarta-feira, outubro 12, 2011

Desabafo de pouca monta, ou As voltas que esta cabeça dá:

"Harry e Sally" (a propósito do blog d'O Arrumadinho - que recentemente tirou o banner com estas duas personagens e eu estava a tentar perceber porquê)... que nomes giros, quase parece que fizeram de propósito. Mais um bocadinho e as letras eram todas a seguir umas às outras. Ora vejamos: 1 H, 1 A, 2 R's, 1 Y; 1 S, 1 A, 2 L's, 1 Y. Mas o L não vem a seguir ao H (mentalmente revejo: F, G, H, I, J, L), pois não... tem ali umas letras no meio. Mas o S vem a seguir ao R (R, S, T, e já agora, U, V, X, Y - não, o Y não consta do alfabeto português).

Mentalmente vejo uma mensagem escrita na linguagem de adolescente: "O K?"

Vai lá ao google e procura o alfabeto português. (Afinal parece que tem e eu já aprendi qualquer coisa com esta parvoíce toda...)

Contra-argumento: Mas o alfabeto português não tem o Ç. Ah pois é, e agora? Porque carga de água é que usamos o Ç que não vem no alfabeto. Até é uma letra gira.. Parece que alguém escreveu qualquer coisa que era com S, e para disfarçar fez ali um rabinho no C. Cedilha, é uma palavra gira... Mas o que é que quer dizer cedilha?

E eu, que estava quase a dormir no processo deste raciocínio altamente demorado, pergunto: Mas o que raio é que quer dizer cedilha?!

sexta-feira, agosto 19, 2011

Esta é uma história que já foi contada. Vezes sem conta.
Eles conhecem-se. Ficam amigos. Um dia, ele decide que quer mais qualquer coisa. Ela resiste à tentação, o mais que pode. Mas a carne é fraca, e tem o coração sedento de palavras doces.

Um dia, ela cede. E tudo pode acontecer.

Mas não acontece.
E ela fica, de novo, sedenta.
E ele, de novo, é um amigo.

E tudo acontece.
As palavras doces enchem ambos os corações.
O conto de fadas vira história de verdade.
E o pôr-do-sol é o fim da história.
Não há tristezas, tudo é rosas, tudo é amor.

A incerteza de te querer assalta-me.
É certo o futuro, inseguro o passado.
O presente foi ontem, e a saudade instala-se.

O sentimento repete-se.
Descanso, embalada pelo teu canto,
Repouso no regaço de uma mãe distante.
Espero pela luta que se avizinha,
Anseio pelos espólios da guerra.



segunda-feira, julho 25, 2011

Era uma vez

Era uma vez um sonho,
Que se desfez como poeira.
Era uma vez uma princesa,
Que deixou passar o cavalo branco.
Era uma vez uma tempestade,
Que não chegou a terra.
Era uma vez um amor,
Que se desvaneceu como um nascer do sol.

Era uma vez uma esperança
Que renasceu das sombras.
Era uma vez um princípe,
Que não se cansou de procurar.
Era uma vez um dia de sol,
Que se repetiu para todo o sempre.
Era uma vez um amor,
Que trouxe a lua e as estrelas.