Quem é a Pandora?

Pandora
A imortalidade nasceu quando o Homem corrompeu a perfeição.Momentos perfeitos são efémeros,quedam-se com o tempo,deixam saudades ao partir.O estado de satisfação permanente é próprio dos lunáticos.E esses buscam,insatisfeitos,a perfeição.A imortalidade é digna dos deuses, nascidos na imaginação dos atormentados com a perfeição.Tudo tem uma causa,nada acontece por acaso.Os deuses castigam-nos por atrocidades.Os deuses compensam-nos pela satisfação.Almeja-se a imortalidade em troca do piscar de olhos da efemeridade.Pandora,libertou as enfermidades conhecidas pelo Homem,ao abrir a mítica caixa.Fechou a caixa a tempo de guardar a esperança.Aquela força presente quando tudo é adverso.O início desta história remete-nos a Prometeu,o ladrão do fogo do Olimpo.O fogo iluminante do Homem.Castigados,ambos.Zeus,enviou uma bela mulher esculpida à imagem das imortais deusas.A Epimeteu,irmão de Prometeu,para os casar.Com a bela noiva,Epimeteu recebeu uma caixa,para não a abrir.De uma mulher,divina ou não,pode esperar-se que não abra a caixa fechada?Pandora abriu a caixa.A imortalidade tocou Pandora,e o ódio entrou.Pandora,hoje,confere missões impossíveis a todos que anseiem pela imortalidade.
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Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Desnudam-se os corpos de eternos amantes.
Desnuda-se a alma e um canto deambulante.
Desnuda-se a lua e cobre-se o sol.
O vôo recolhe memórias, esgares, sorrisos, dores, penas.
As asas celebram o sangue derramado.
Tudo acaba, tudo recomeça.
Nos dias de hoje, na lembrança de ontem.

Repete-se o sonho, o sino desperta.
A balada entoa versos de perda.
Era uma princesa, sereia, perdida.
O regresso ao lago sempre desejado.

Desnuda-se a lua, morre a vontade.
Veste-se o sol, nasce a tristeza.
Com a noite vêm os loucos,
Com o dia acordam os perdidos.

Desnuda-se a alma e o canto, perdem-se as dores.
Recomeço é sonho.
Reinício é hoje.
No ontem o amor, no amanhã a dor.
Hoje tudo é negro e seda.
Deslizam mãos, dedos, cabelos.
Porcelana intocada, assaltada pela fome.

Perpetuamente a fantasia vivida.
Pelo trovador e pelo amante.
Pelo querubim e pela princesa.
Pela sereia e donzela esquecida.
Magia perdida, loucura apressada.

Desnudam-se os corpos e os amantes reluzem.
No eterno incendiar do que já foi.
Despertam saciados, desiludidos, desamparados.
A luz de cristal não brilha mais.
Libertou a dor e voou...

Noutro manto, uma lua surgirá,
Para de novo brilhar e partir.
Para encantar e seduzir.
Enlouquecer e quebrar.

Bárbara
10 de Fevereiro de 2009

Quinta-feira, Fevereiro 14, 2008

A Bonança

Veio a tempestade.
Ventos azuis de dor
preencheram dias e
noites de solidão.
A dor de perder,
a dor de amar.

A noite veio silenciosa,
os dias ensurdecedores.
Sons de hoje,
sons de ontem.

Dias de luar, de perda.
Ondas de sereias
perdidas na tempestade
de te querer.

Com o raiar de uma nova esperança
Com o despertar de um novo dia
O choro silenciou
A tempestade perdeu a vontade
E voou para longe.

Depois da tempestade,
A alegria de sorrir,
O desejo de amar...

Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

Amor e Desamor...

Será amor?
Olhos nos olhos, o brilho das estrelas caiu do céu... Pousou na minha alma e levou-me para um mundo de cores novas.
Foi amor!
Cresci na certeza que me amavas, de te amar, e de que um futuro risonho me esperaria no fim do arco-íris.
Será amor...
Hoje sei que não era para ser... Mudámos o rumo do que estava escrito. Fomos livres para improvisar o destino. Mas tudo acaba como tem de acabar...
Amo-te.

Some blogthings... A little bit of me

You're an Expert Kisser

You're a kissing pro, but it's all about quality and not quantity
You've perfected your kissing technique and can knock anyone's socks off
And you're adaptable, giving each partner what they crave
When it comes down to it, your kisses are truly unforgettable

You Are a Normal Girl

You are 50% Good and 50% Bad
Sure you've pulled some bad girl stunts in your past.
But these days, you're (mostly) a good girl.

Guys Like That You're Fun

You're the type of girl guys brag about knowing
That's because you're cool, funny, and laid back
You're smart enough to know how to be one of the guys
But flirty enough to know how to make them all want you

Your Ideal Pet is a Cat

You're both aloof, introverted, and moody.
And your friends secretly wish that you were declawed!

You Are the Ego

You take a balanced approach to your life.
You definitely aren't afraid to act out on your desires - even crazy ones.
But you usually think first. Morals drive you as much as hedonism does.
You've been able to live a life of pleasure... without living a life of excess.

Terça-feira, Maio 08, 2007

Sonhos


Sonhar é viver! Sonhos de amor, de prazer, de grandiosidade. Quem sonha e é feliz, vive uma vida completa...

Hoje sonhei contigo... Caminhavas em pensamentos azuis, leves como uma pena. O sorriso que te iluminava apanhou-me e fez-me refém.
Ontem sonhei contigo... Era de noite e o luar preencheu as minhas mãos. O meu olhar perdeu-se no imenso dourado de uma trovoada.

Terça-feira, Julho 25, 2006

A máscara

As lembranças assaltam-me. A fome de ti também. Houve uma altura em que tinha pudor de me chegar perto de ti. Hoje quero que me sintas e me oiças gritar o teu nome na escuridão da distância. Quero colar-me à tua pele. Quero que anseies pelo toque que não chega. Como eu anseio.

Naquela noite senti-me perto de ti. Como nunca antes, e como em todas as noites antes daquela. Só tu me fazes sentir assim. Doente, febril, louca. Sei que me ouves e me calas, sei que me sentes e me escondes. Passei anos a tentar barrar a porta que, insistentemente, querias abrir. Até agora. Escancarei-a para que possas saber que sou tua. Que não vou mais fugir deste querer. Que podes deixar cair a máscara.

Não quero palavras doces, nem gestos de carinho. Quero aquilo que sentes na pele. O formigar, a comichão. Quero subir bem alto, para que a queda seja estrondosa.

Não sou a mulher da tua vida, nem tu és o homem da minha vida. Pertencemos a outros, por escolha. Sou a mulher das tuas vidas, da tua existência. Por mais que fujamos, acabamos sempre nos braços um do outro. Todas as nossas histórias são difíceis de contar, deixam um sabor amargo. Todas cheiram a quente, a prazer. Porque fugir mais? Vem ter comigo e sê meu.

É um desafio. Também o será se eu tiver de resistir.

Bárbara

25 de Julho de 2006

Segunda-feira, Julho 24, 2006

A verdade

Não sei porque me lembro com tanta exactidão da noite, do momento, em que me deste um raio de luar. Quiseste levar-me a tocar na lua. E conseguiste. É uma lembrança que estava muito bem guardada nos recantos mais profundos de mim. Hoje assalta-me como uma necessidade. Noite após noite, cultivaste a minha necessidade, o meu anseio de ti. Levaste-me a acreditar que podia haver alguma verdade nas promessas que não fizeste. Depois de me teres descartaste-me.

Nunca percebi porquê. Até hoje. A tempestade que provocas na minha pele quando me tocas… Sei que sentes o mesmo. E tens medo. Medo de te entregares, medo de te desviares do teu caminho. O caminho que escolheste e que colide com o meu. Lutamos em lados opostos, mas a ânsia que a minha pele tem da tua, os meus lábios dos teus não desaparece.

É interessante lembrar as formas pelas quais me cativaste, como engoliste a minha inocência, como fizeste dela a tua arma contra o que viste ser maior que tu. Sei que és meu, mesmo contra a tua vontade. Por muito que me custe admitir, sou tua. És a fuga a um padrão que eu não vi.

A lua estava distante naquela noite. No entanto, consegui tocar-lhe. Depois de uma noite de carícias, toques furtivos, beijos roubados, deixaste que as nossas bocas se unissem num acto perfeito de entrega. Foi como se me roubassem o chão dos pés. As estrelas entraram nos meus olhos e o meu coração entregou-se, rendido.

Podemos amar muitas pessoas, e todas elas de forma diferente. Mas este amor é turbulento, doentio. Porque tu o quiseste. Dei-te o meu coração e mandaste-o embora. Sempre que me aproximei, afastaste-me. Sei porquê. São demasiadas as razões para que as consiga separar e pensar em cada uma de cada vez. Porque o medo se confunde com a frustração. Porque é um amor bonito demais para ser corrompido no teu caminho. Podíamos ter sido felizes. De todas que escolhes, falta-lhe sempre algo que eu tenho. De todos os que escolhi, nenhum me ofereceu a lua. E seremos assim, para sempre. Tão iguais e tão diferentes. E amar-te-ei sempre, tristemente. E tu querer-me-ás sempre, carregado de frustração, por não me poderes ter.

Já foi assim, noutros tempos, noutros sonhos, noutras vidas. Sempre igual e tão diferente. Este amor não é nunca consumado. Não fisicamente, porque nesses termos, conseguimos sempre enlouquecer-nos. Não me interessa por quantos corpos passaram as tuas mãos e a tua boca. Não quero saber. Sinto raiva quando insinuas os prazeres que dividiste com outras. Sei que acontece contigo o mesmo que acontece comigo. O coração acelera só de ouvir a respiração, os olhos brilham de antecipação. E as minhas mãos só querem ir de encontro a ti, a minha boca só quer saborear-te, morder-te, marcar-te.

A magia existe. Mesmo que os mais cépticos a neguem. Não é possível amar sem sentir a magia que nos rodeia. Faz com que a aparência seja mais suave, todos os defeitos desapareçam. O cabelo curto parece mais comprido, os olhos mais claros, tudo se modifica. Por magia.

Amar-te implica aceitar a magia. A boa e a má. Sem querer fazer parte da má. Renegando-a e expulsando-a deste amor que me faz ser tua.

Enquanto não tiveres a capacidade de me aceitar assim, com a verdade absoluta, sem qualquer tipo de disfarce, permaneceremos divididos, afastados, doridos.

Bárbara

24 de Julho de 2006

Terça-feira, Julho 11, 2006

O início

Em tempos longínquos, conheci um homem. Era tal a sua natureza e a sua graça que não precisava utilizar as palavras para se exprimir. Posso mesmo dizer que raramente ouvi o som melodioso da sua voz. Tê-lo-ei ouvido uma, duas vezes? Não sei precisar. Lembro-me, sim, do momento em que abriu a boca pela primeira vez e as palavras começaram a jorrar da sua boca. Qual mel, qual néctar encantado, enfeitiçou-me. Embalou-me na sua graça e leveza, transportou-me para mundos para lá do inimaginável. Fez-me corar de desejo. Não carnal, físico. Mas de desejo pelas delícias que a sua voz prometia. De ânsia pelos encantos que espreitavam da cortina de palavras.

Era esta a razão pela qual ele evitava falar. Não era necessário. A luz dos seus olhos era suficiente para transmitir conforto, amor, prazer, e, por vezes, dor, escárnio, desprezo. Tive o fortúnio de nunca merecer qualquer um destes olhares. Quando me olhava, envolvia-me em doçuras mil, em paraísos de flores e cheiros exóticos.

Lembro-me do dia em que o conheci. A sua reputação era bem conhecida, precedendo-o em qualquer lugar que fosse. Sabia que as suas palavras pareciam as de um anjo, que os seus olhos – e que olhos!, de um azul mar, que muda de cor de acordo com o tempo: verde em dia de tempestade, azul profundo em dia de sol – falavam de terras distantes da fantasia humana. Pedira hospedagem em minha casa. Recebera um pedido, muito cordial, de acordo com o exigido na altura, de abrigo. Acedi. Não havia razão para fazer o contrário. Se eu soubesse na altura o que esse pedido me traria… Tê-lo-ia aceite mil vezes, mesmo sabendo que consequências daí adviriam.

Chegou tarde, numa noite tempestuosa. Eu já dormia. Quando acordei já ele pintava as maravilhas do jardim principal. Era esse o seu ofício. Pintava. A luz que batia no seu cabelo quando o vi lembrou-me os caracóis louros de um pequeno querubim. Emolduravam uma face andrógina. Tinha a graça feminina, e o carisma que se quer num homem. Não me tinha ainda visto. Quando levantou os olhos, sem qualquer cerimónia, fitou-me directamente. Não era muito educado fazê-lo, assim, sem nos conhecermos, sem outras pessoas presentes. Quando o fez, senti-me desmaiar. Não caí, mas a minha alma desfaleceu de felicidade. Um reencontro comigo própria, com o mais profundo de mim… Senti todas as minhas ansiedades desvanecerem-se naquele mar profundo.

Antes do pedido de hospedagem, eu havia já pensado em mandá-lo chamar. Queria que pintasse o meu retrato. Era conhecido por deixar a sugestão de um suspiro preso na garganta de quem retratava. Todos quantos eram pintados, ganhavam uma dimensão etérea, irreal, que fazia com que ficássemos presos ao brilho dos seus olhos, a respiração tornava-se lenta e ofegante e teríamos a tentação de tocar na tela, para sentir a textura daquela pessoa tão feliz. Ele não pintava retratos tristes. Não o conseguia, não fazia parte da sua maneira de encarar o mundo. Eu queria ser pintada assim, preservando a beleza que sempre soube que tinha. Naquela altura, em que os pretendentes se alinhavam nos bailes para terem a honra de dançarem comigo, os meus cabelos ruivos tinham uma reputação invejável. Longos, até à cintura, sempre soltos e perfumados. Não tinha coragem de cortar os cachos, nem de lhes roubar a liberdade que adquiriram por direito próprio. Mesmo as mais severas tentativas de os domar haviam falhado. Era preferível ter a aparência de uma ninfa do que de uma louca. Todos nós nascemos com um dom, e o meu era o da escrita. Claro que a gaiola de ouro em que havia sido criada facilitava. Mas já começamos a divagar. Quero hoje falar do homem da voz de ouro, de mel, de todos os manjares de deuses e pedras preciosas. O homem a quem amei mais do que à minha vida. O homem que me fez esquecer todas as dores e todos os medos.

Diziam que os meus olhos verdes eram o reflexo da lagoa mais bela do nosso país. Que a minha pele parecia a de um bebé, as minhas mãos como as das ninfas. Sentia-me enfadada com todos estes elogios. Não havia a paixão arrebatadora que eu merecia. Até que aqueles olhos entraram na minha alma.