Foi assim que começou...

Irrealmente

Como o poderei fazer?
Deverei sonhar-te? Fingir-te?
Não sei se resultaria.
És por demais irreal para poder fingir-te.
Sonhar-te seria muito mais arriscado.
Cometeria o erro de te achar verdadeiro demais.

Gosto de coisas sem sentido.
Gosto de ti.

Acho que poderia tentar escrever-te.
Desenhar delicadamente
Tudo o que quero que saibas.
Ah! A nossa música!
Há quanto tempo o vento não ma trazia!
Talvez desde a última vez
em que ma cantaste ao ouvido.

Gosto do teu sorriso.
Faz amor comigo.
Quero para sempre o teu sorriso.

Como queres que o faça?
Tens de me dizer.
Não quero acreditar que és real.
Não podes ser.
Não terias pedido ao vento
para me amar se o fosses!
Não terias ordenado ao mar
para me beijar se o fosses!
Não terias implorado às aves
para me cantarem se o fosses!

Quero-te.
Sei que sim.
Preciso de o saber.
Preciso que vistas a minha pele para o saberes.

Como poderei fazer para que
continues eterno nessa tua irrealidade?

Abril de 1996

Comentários

M.Pedrosa disse…
É um excelente começo. Diria mesmo:nasceu uma nova estrela no universo blogoesférico.

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