segunda-feira, março 21, 2005

Renascer

Um raio verde mostra que tudo o que não é morre.
O trovador de penas douradas beija o Sol.
Despediu-se do Luar e mostra a Primavera.
Entra com pezinhos de lã, para não ser sentida.
As estrelas brilham com o fulgor de novas flores.
Vozes de prata incendeiam o céu de uma nova época.
No começo o branco não é mais branco e o azul domina.
Dois dedos mágicos de chamas vestem os bosques.
As fadas despertam do sonho e bocejam calor.
Os duendes vestem-se para o novo amanhecer.
A rainha decreta que a noite chegou ao fim.
Os olhos vermelhos deixam de reluzir no escuro.
Penas caem das nuvens e os anjos descem à floresta.
As borboletas espalham perfumes encantados.
A festa do acordar começa o mágico aparece.
Fumo veste-lhe a cara, os olhos cobertos com lágrimas.
Profecias de mares mergulham nas suas mãos.
Uma Vestal de mil cores cobre a tempestade fria.
Até que os vulcões acordem e a neve regresse.
1 de Outubro de 1997

domingo, março 20, 2005

Shiva

A tristeza chegou e não mais partiu.
O dia nasceu noite e o sonho de te ter esvaneceu-se.
Tudo era azul, agora tudo é púrpura.
Da cor da dor, da cor do medo.

Este sonho acordado rouba-me as lágrimas.
O viver é insípido, atroz, indesejado.
Deixa-me voar contigo para longe,
Esquecer o tempo,
Viver em prados verdejantes,
Amar em dias ensolarados.

A tua luz enche a minha lembrança.
Como uma estrela cadente,
De coração partido,
Presente em sonhos de Primavera.

Escrevo no mar o teu nome.
As sereias olham e não esquecem.
Lembram-me de ti, de nós, de mim.


20 de Março de 2005

Foi um sonho

Não sei de que cor é feito o sonho de te querer. O céu revela-se com o nevoeiro que passa pelos meus dedos. A noite num jardim encantado faz-se presente se por ela se chamar. O amor não era a minha ambição.

Lágrimas de feiticeiros passam por corpos suados. Beijos de luar caem da palma da mão. Os sons fazem-se mudos quando abraços de mel gritam mais alto. De repente o amor chegou.

Dedos de mago, garras de fera torturam existências de prata. A memória faz-se substituir por enganos de seda. Risos de profecias douradas escondem-se por detrás de nuvens negras. Invernos azuis fazem-me acreditar que a tempestade passou. Que a solidão não mais se fará sentir como dantes.

Vampiros condenaram a minha existência a amar. Muitas vezes sem sentido. Muitas vezes sem sentir que as cores são.

Contigo acredito. Que é possível ser-se feliz, nem que seja por momentos. Que a luz está guardada para sonhos se cor. Que o amor vencerá todas as batalhas.
20 de Janeiro de 1997

quarta-feira, março 16, 2005

Hino à Lua

Para que nasce o Sol
senão para anunciar a morte da Lua?

Os olhos cerram-se ao cair da noite.
As lágrimas não pretendem cair,
mas almas tristes não contêm
o choro pela Lua.

O dia pode nascer azul,
para quem sonha com os anjos…
rosa em dias perfeitos.
Mas o mar não se cansa de pedir
para que volte a nascer a Lua.

As palavras contam-se
infindáveis para quem ama.
A madrinha será certamente
uma esplendorosa Lua.

Trajes negros enfeitam as mentes
de quem vive o dia com sofrimento.
O choro pede-se
sentido e com muita alma.
O sacrifício é indispensável
para o retorno da Lua.

Amantes escondem-se
para sofrer em silêncio.
A noite faz parte do
dilema da existência:
beijar o Sol
ou venerar a Lua?

Corpos suados e cansados
estendem-se para morrer diante do Sol.
O renascimento
é indispensável… com a Lua.

Para que serve o pôr-do-sol
senão para anunciar o
regresso da bem-amada Lua?


17 de Setembro de 1999

segunda-feira, março 14, 2005

Os sonhos também morrem

Era uma vez um anjo. Um anjo azul, que vivia nos sonhos dourados de quem não o queria. Muito poucos eram estes. Quem mais o desejava contentava-se com suspiros prateados que ele distribuía em noites de luar.

A última das românticas cansou-se de esperar pelos seus suspiros prateados. Almejou sonhar dourado. Querer não querer o seu anjo azul.

As noites de luar demoravam-se cada vez mais. Beijos cor de céu pousavam em ramos de árvores que não se demoravam a ficar. A última noite de luar tinha chegado. O anjo não veio. Uma sereia cantava. Liras de mar ecoavam. O céu de prata escurecia.

A janela aberta. As cortinas esvoaçantes que reflectiam o rosto de criança. A mão perdida na noite ensaguentada.

Animais velavam pelo sono esquecido. O anjo azul fugia para mais longe do que antes. Ninguém se preocupava com a cara esquecida numa janela de Verão que esperava por um suspiro prateado e almejava um sonho dourado.

Feras de olhos reluzentes rasgavam uma túnica branca. Que ainda guardava vestígios de mar. As asas quebradas. Húmidas de sangue.
12 de Fevereiro de 1997

Nasceu um anjo

Gostava de ser uma pena e pousar nos teus olhos. Voar nos teus pensamentos e sonhos azuis. Contemplar o teu cabelo de anjo, o teu rosto de mar.
Conseguiste arrebatar os meus suspiros, o meu ar, a minha sombra. Destino-te os meus derradeiros beijos.
O olhar de veludo. O toque de seda. Tudo o que me lembro de ti. Tudo o que sempre quis.
Aprendi o que sei por te querer. O Sol, a Lua, as estrelas, as sereias. Até mesmo os vampiros se escondem por detrás do teu sorriso.
Prende-nos uma maravilhosa e fria prisão de cristal. Que me assusta e fascina. Não quero ser livre. Quero ser tua.
“Penso em ti. Quando eras um estranho. Hoje somos um. Voltarias atrás? Eu sim. Não sei. Não me perguntes porquê.
Continuo a amar-te desmedidamente. É mais forte do que eu. Puxa-me. Liberta-me.
Devorei-te. Senti o teu sangue. Tenho sede. Volta para mim.”
6 de Janeiro de 1997

Uma volta pelo passado

Não tenho uma história.
Adormeço com o amanhecer.
Acordo com o luar.

Não te encontro. Tens-me.
Surgiste com o Sol. Pertenço-te.
As nuvens são os meus dias.
As estrelas o meu viver.

Não sou de niguém.
Doente. Louca. Insana.
Morri.

Vagueio perdida pelas ruas da cidade.
Aqui estou. Sem dono. Sem história.
Sem saber porquê sorrir.

Quero ajudar-te.
Ver as rosas murchar.
Beijar-te.

Amar-te como uma possessa.
Abandonar-te. Ver-te sofrer.

Tenho medo. Leva-me.
No mar alto não há ondas.
Uma canção de amor espera-te.

Não sou uma história.

14 de Novembro de1996

quinta-feira, março 03, 2005

Sinais do Tempo

Hoje, quando te deitares para dormir,
deixa a porta do coração aberta.
Deixa-me aninhar no teu abraço…
Quando fechares os olhos,
fecha bem a porta e deita a chave fora.
Quero esconder-me no paraíso que é amar-te.

Não esqueço o teu sorriso,
Não esqueço o teu olhar,
O teu toque, o teu beijo.
Não quero nunca deixar escapar esta doçura
que fica quando me deito e penso em ti,
quando durmo e acordo no sonho de te querer.
É um jardim perfumado com imagens de mel
este sonho que me faz sorrir.

Hoje, quando te deitares para dormir
beija a Lua e abraça o Sol.
Estarei à tua espera numa estrela para partir contigo…
Em direcção ao paraíso que é amar-te.

A tua voz traz-me de volta ao mundo.
Os pesadelos rendem-se quando te ris.
Não deixes voltar os lobos, as hienas, as feras.
Fiquemos só nós neste sonho acordado…
Protege-me e guarda-me do mundo.
Sejamos só nós a saber do nosso amor.

Hoje, quando te deitares para dormir,
acorda o anjo que te guarda.
Pede-lhe que te traga a nuvem mais distante
Para nela me levares a visitar o nosso futuro.
Galgaremos as ondas, atravessaremos todos os mares.
Em direcção ao paraíso, que é ficarmos juntos…

Amei-te, amo-te, e amar-te-ei até ao último dia da minha vida
Sei hoje que fazes parte de mim,
do meu passado,
da minha alma,
da minha existência.

Hoje quando me deitei para dormir, pensei:
Amar assim é viver com os sentidos embriagados em mil perfumes exóticos,
É ter estrelas cadentes no coração, o fogo no olhar,
É desejar percorrer um mundo para te ver, para te ouvir.
É querer-te sempre perto de mim, e sorrir…

Abriga-me, acolhe-me… e ama quem eu sou.


Outubro de 2003

terça-feira, março 01, 2005

Por mais uns anos continuou

Nasci com a madrugada.
Parti com o raiar do dia.
Amei-te durante todas as estações.
Não te esqueci com o cair da noite.

Leva-me a voar por entre estrelas cadentes.
Mostra-me que na loucura o fogo não queima.
Apaga o Sol quando vieres.
Deixa-me ficar o impossível.

Jardins perfumados de odores
insaciáveis dormem na palma da mão.
Bailam na memória de uma criança perdida.
Libertam poemas e estranhos cantares.

O nevoeiro revela-se
no passar da mão pelo cabelo.
A madrugada aproxima-se
e a confissão faz-se notar.

Braços entrelaçam-se, bocas beijam-se.
A paixão reina.
O tempo passa sem se fazer notar.
Cores confundem-se num trocar de olhares.

A esperança,
que se disfarça de azul,
é verde.
Vem para ficar.
Caída por entre
dedos de estrelas
e beijos de luar.
Rosas,
orquídeas,
nuvens,
sol,
num mundo onde tudo é meu.

A tua alma pertence-me.
Não a deixarei partir sem
um beijo de boa noite.
Quando a noite disser adeus.
Músicas nunca antes ouvidas
cobrem o teu olhar numa praia deserta.
As ondas batem e fogem de mim.

Perder-te-ei.
Sem saber porquê.
Sem saber quando.
Mas amar-te-ei sempre.
Até que a Lua me faça sentir
que a manhã chegou.


Fevereiro de 2003

A última vez | The Last Time

Um dia destes, é tarde demais. Um dia destes, …acordamos com a cabeça branca, e arrependemo-nos de todos os minutos desperdiçados, ...