segunda-feira, março 14, 2005

Os sonhos também morrem

Era uma vez um anjo. Um anjo azul, que vivia nos sonhos dourados de quem não o queria. Muito poucos eram estes. Quem mais o desejava contentava-se com suspiros prateados que ele distribuía em noites de luar.

A última das românticas cansou-se de esperar pelos seus suspiros prateados. Almejou sonhar dourado. Querer não querer o seu anjo azul.

As noites de luar demoravam-se cada vez mais. Beijos cor de céu pousavam em ramos de árvores que não se demoravam a ficar. A última noite de luar tinha chegado. O anjo não veio. Uma sereia cantava. Liras de mar ecoavam. O céu de prata escurecia.

A janela aberta. As cortinas esvoaçantes que reflectiam o rosto de criança. A mão perdida na noite ensaguentada.

Animais velavam pelo sono esquecido. O anjo azul fugia para mais longe do que antes. Ninguém se preocupava com a cara esquecida numa janela de Verão que esperava por um suspiro prateado e almejava um sonho dourado.

Feras de olhos reluzentes rasgavam uma túnica branca. Que ainda guardava vestígios de mar. As asas quebradas. Húmidas de sangue.
12 de Fevereiro de 1997

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