terça-feira, março 01, 2005

Por mais uns anos continuou

Nasci com a madrugada.
Parti com o raiar do dia.
Amei-te durante todas as estações.
Não te esqueci com o cair da noite.

Leva-me a voar por entre estrelas cadentes.
Mostra-me que na loucura o fogo não queima.
Apaga o Sol quando vieres.
Deixa-me ficar o impossível.

Jardins perfumados de odores
insaciáveis dormem na palma da mão.
Bailam na memória de uma criança perdida.
Libertam poemas e estranhos cantares.

O nevoeiro revela-se
no passar da mão pelo cabelo.
A madrugada aproxima-se
e a confissão faz-se notar.

Braços entrelaçam-se, bocas beijam-se.
A paixão reina.
O tempo passa sem se fazer notar.
Cores confundem-se num trocar de olhares.

A esperança,
que se disfarça de azul,
é verde.
Vem para ficar.
Caída por entre
dedos de estrelas
e beijos de luar.
Rosas,
orquídeas,
nuvens,
sol,
num mundo onde tudo é meu.

A tua alma pertence-me.
Não a deixarei partir sem
um beijo de boa noite.
Quando a noite disser adeus.
Músicas nunca antes ouvidas
cobrem o teu olhar numa praia deserta.
As ondas batem e fogem de mim.

Perder-te-ei.
Sem saber porquê.
Sem saber quando.
Mas amar-te-ei sempre.
Até que a Lua me faça sentir
que a manhã chegou.


Fevereiro de 2003

1 comentário:

Anónimo disse...

Queremos mais. Não podemos ficar por tão poucos aperitivos. A sede é muita.

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