Visão de criança

Na tentativa de encontrar
alguém que me leve da solidão,
encontro-me só.
Na escuridão encontro um rosto cansado,
onde a mágoa deixou cicatrizes.
Cabelos escuros já não tão escuros.
Olhos brilhantes, embaciados pela dor e pela vida.

Um passado alegre
escondeu-se por detrás de uma nuvem branca
num dia de sol.
Um futuro risonho
perdeu-se
numa noite de tempestade.
O presente não passa.
Todos os dias a ferida aumenta,
todas as noites a solidão
dorme à cabeceira da minha cama.

O torpor que sinto nos dedos não me deixa viver.
O medo que se esconde nos meus pensamentos
é mais real a cada dia que passa.
Foi uma história bonita em tempos,
mas a idade roubou-me a esperança
e a alegria de sorrir.
A beleza guardada nos olhos de uma criança arrepia-me.
Quantas desilusões serão precisas para lhe roubar a visão?

3 de Outubro de 2005

Comentários

M.Pedrosa disse…
Oxalá a poesia - lindíssima - represente apenas uma forma de traduzir um estado de alma fugaz, ainda que se repita muitras vezes

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