terça-feira, fevereiro 10, 2009

Desnudam-se os corpos de eternos amantes.
Desnuda-se a alma e um canto deambulante.
Desnuda-se a lua e cobre-se o sol.
O vôo recolhe memórias, esgares, sorrisos, dores, penas.
As asas celebram o sangue derramado.
Tudo acaba, tudo recomeça.
Nos dias de hoje, na lembrança de ontem.

Repete-se o sonho, o sino desperta.
A balada entoa versos de perda.
Era uma princesa, sereia, perdida.
O regresso ao lago sempre desejado.

Desnuda-se a lua, morre a vontade.
Veste-se o sol, nasce a tristeza.
Com a noite vêm os loucos,
Com o dia acordam os perdidos.

Desnuda-se a alma e o canto, perdem-se as dores.
Recomeço é sonho.
Reinício é hoje.
No ontem o amor, no amanhã a dor.
Hoje tudo é negro e seda.
Deslizam mãos, dedos, cabelos.
Porcelana intocada, assaltada pela fome.

Perpetuamente a fantasia vivida.
Pelo trovador e pelo amante.
Pelo querubim e pela princesa.
Pela sereia e donzela esquecida.
Magia perdida, loucura apressada.

Desnudam-se os corpos e os amantes reluzem.
No eterno incendiar do que já foi.
Despertam saciados, desiludidos, desamparados.
A luz de cristal não brilha mais.
Libertou a dor e voou...

Noutro manto, uma lua surgirá,
Para de novo brilhar e partir.
Para encantar e seduzir.
Enlouquecer e quebrar.

Bárbara
10 de Fevereiro de 2009

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