Ao longe, o som de água fresca caindo sobre pedras.

"Uma cascata?"

Onde estaria, para que aquele som tranquilizante lhe preenchesse os sentidos?
Forçando-se a abrir os olhos, a imensidão branca que a rodeia, fere-lhe os olhos. Lutando por ver, contempla os olhos doces, de um verde translúcido, que se debruçam sobre ela, ansiosos, perscrutando.
Os lábios articulam palavras que não entende. Pergunta, tenta verbalizar, mas as palavras perdem-se.
Quase acordada, procura com a mão o conforto do toque, mas não há sensação.
Os olhos verdes não são mais verdes. Perderam o brilho a transportava para 'aquele' lugar seguro...

As paredes brancas que a cercam começam a ganhar sombras, e começa a distinguir vultos. Um senhor de barba e cabelo grisalhos; uma jovem de cabelo preto, bilhante, que se imagina mais suave que a seda, no seu melhor vestido de domingo; sentada ao seu lado na cama, uma senhora de cabelos muito brancos, cuja mão está firmemente colada na sua. A luz que jorra da janela chama a sua atenção e, na sombra, distingue um rosto. Pleno de dor. Pleno de reconhecimento, alívio, e qualquer outra coisa que agora não lhe é possível distinguir. As roupas amarrotadas fazem-na querer saltar da cama onde está (porque é que não consegue levantar-se, e o que faz ali deitada?). Quase reconhece aqueles olhos cansados. Mas não entende...
Onde? Como? Quando? O quê?

Comentários

Leston Bandeira disse…
Que belo poema não ssumido como tal...A tua linguagem, minha filha é a dos poetas!!!

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